|
CARPE DIEM
Como da rotina desencravar o dia (banho, café, jornais, cartas a escrever, contas a pagar) e estendê-lo para secar ao sol de maio? O dia sem véspera ou promessas vindouras sem a face encovada da dúvida. E, então, nos olharíamos e eu diria: olá, dia. Vamos juntos à praia ou ao cinema ou fiquemos apreciando o pôr-do-sol que de teu dorso escuro se irradia. E o dia, gema posta a brilhar ao sol de maio, com a dureza e o mistério dos dias, em fios iridescentes se envolveria. E, fixando-me os olhos, me cegaria.
Como da retina desencravar o dia?
Tomado de: poesia.net www.algumapoesia.com.br Carlos Machado, 2008
|